"words must change, words need liberty"
quarta-feira, 20 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
primeiro encontro em casa com uma barata - ou melodrama - ou novela mexicana - ou doença mesmo
20-12-07
Sinto um pânico, meu corpo todo treme. Acabo viver pela primeira vez o encontro que eu mais temia desde que moro sozinha. Estava feliz falando ao telefone com minha prima querida que vive em Londres, na maior descontração, enquanto dava uma de Marineide na minha casinha. Varria o chão, passava um pano, varria o chão passava um pano. Fiz isso pela casa toda, quando cheguei na cozinha, fui passar o pano debaixo do fogão, foi então que o pânico tomou conta. Finalmente o inevitável aconteceu - esbarrei com meu mais temido obstáculo - uma barata gigantesca embaixo do aparelho doméstico que eu mais gosto. Estou sempre ali cozinhando, e aquela criatura ali embaixo vendo os meus pezinhos!!! Que horror!!! Que medo!!! Comecei a gritar, chorar, rir de nervoso, pânico, e total consciência da situação patética que eu estava a encenar. Acho que só ri, porque minha prima estava do outro lado do telefone às gargalhadas, não deu pra não ter crítica, era realmente ridículo, mas completamente verdadeiro e neurótico. Não sabia o que fazer, e a minha casa é toda aberta, não tem quarto – conclusão não dá pra fechar a porta. Era eu e a barata dividindo o mesmo pequeno espaço. Eu já suava, sentia o calor do pânico, não dava para sair correndo, estava de pijama! Tive que respirar fundo, para pensar em uma saída. Coloquei qualquer roupa correndo e desci para chamar o que hoje seria o homem da casa!!! Falei com Vicente o porteiro. Com lágrimas e uma voz sofrida disse: Vicente pelo amor de deus vem matar uma barata pra mim!! Por favor! Obviamente, ele começou a rir - quem não faria o mesmo?! Ele subiu, tirou a barata, que estava morta e saiu rindo, e eu só chorava. Deixa eu repetir, sim a barata já estava morta, sim era só tirar ela dali, sim, não foi necessário chinelo, nem spray, e sim eu sou doente.
Nesse exato momento em que escrevo para tentar aliviar a tensão, não tenho coragem de entrar na minha cozinha. Liguei para minha mãe e pedi para que a moça que arruma a casa dela viesse para cá, só pra limpar o espaço em que aquele ser chegou a ocupar.
Sei-lá tenho medo de achar uma asinha, uma antena – isso significaria outro ataque de pânico. Ainda encontro-me bem nervosa, ou seja, enquanto escrevo sinto a barata andando no meu cabelo, no meu braço, nas minhas costas, está tudo coçando!!! Vou sair daqui agora correndo para minha sessão de análise, porque só com muito tratamento mesmo.
Sinto um pânico, meu corpo todo treme. Acabo viver pela primeira vez o encontro que eu mais temia desde que moro sozinha. Estava feliz falando ao telefone com minha prima querida que vive em Londres, na maior descontração, enquanto dava uma de Marineide na minha casinha. Varria o chão, passava um pano, varria o chão passava um pano. Fiz isso pela casa toda, quando cheguei na cozinha, fui passar o pano debaixo do fogão, foi então que o pânico tomou conta. Finalmente o inevitável aconteceu - esbarrei com meu mais temido obstáculo - uma barata gigantesca embaixo do aparelho doméstico que eu mais gosto. Estou sempre ali cozinhando, e aquela criatura ali embaixo vendo os meus pezinhos!!! Que horror!!! Que medo!!! Comecei a gritar, chorar, rir de nervoso, pânico, e total consciência da situação patética que eu estava a encenar. Acho que só ri, porque minha prima estava do outro lado do telefone às gargalhadas, não deu pra não ter crítica, era realmente ridículo, mas completamente verdadeiro e neurótico. Não sabia o que fazer, e a minha casa é toda aberta, não tem quarto – conclusão não dá pra fechar a porta. Era eu e a barata dividindo o mesmo pequeno espaço. Eu já suava, sentia o calor do pânico, não dava para sair correndo, estava de pijama! Tive que respirar fundo, para pensar em uma saída. Coloquei qualquer roupa correndo e desci para chamar o que hoje seria o homem da casa!!! Falei com Vicente o porteiro. Com lágrimas e uma voz sofrida disse: Vicente pelo amor de deus vem matar uma barata pra mim!! Por favor! Obviamente, ele começou a rir - quem não faria o mesmo?! Ele subiu, tirou a barata, que estava morta e saiu rindo, e eu só chorava. Deixa eu repetir, sim a barata já estava morta, sim era só tirar ela dali, sim, não foi necessário chinelo, nem spray, e sim eu sou doente.
Nesse exato momento em que escrevo para tentar aliviar a tensão, não tenho coragem de entrar na minha cozinha. Liguei para minha mãe e pedi para que a moça que arruma a casa dela viesse para cá, só pra limpar o espaço em que aquele ser chegou a ocupar.
Sei-lá tenho medo de achar uma asinha, uma antena – isso significaria outro ataque de pânico. Ainda encontro-me bem nervosa, ou seja, enquanto escrevo sinto a barata andando no meu cabelo, no meu braço, nas minhas costas, está tudo coçando!!! Vou sair daqui agora correndo para minha sessão de análise, porque só com muito tratamento mesmo.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
As coisas as vezes demoram pra começar
As coisas as vezes demoram pra começar. Eu não sei direito pra onde eu devo ir. Sei que devia ir. De vez em quando eu vou e volto. Vou e volto, e nada. Nada ainda começou.
As coisas demoram pra começar. Você saiu correndo com medo; o engraçado é que nem me lembro mais da sua cara, de tão rápido que você partiu. Não aguentou, não esperou, não teve coragem de esperar pra ver começar. Eu confesso que eu corri atrás de ti, falei pra mim mesma – Tudo bem, posso perder o começo da minha vida. Mas eu sabia, eu sabia que não conseguiria, tive medo de carregar o peso de perder o começo. Então eu voltei sem coragem, sem vida, devagar, fazendo passos curtos, em zig zag, numa tentativa boba de alargar o tempo. Era uma volta, as coisas vão começar apesar da demora. As coisas vão começar.
As vezes as coisas demoram pra começar. Eu sabia, eu sei, eu espero, eu esperei, eu não fui. Eu estou aqui comigo esperando. Vou brincar de alguma coisa. Vou comprar uma cruzadinha na banca de jornal, afinal eu sei como se fala azul em inglês, e sei qual ator fez o filme Cantando na Chuva, e também sei quantos dedos tem um pato. O tempo vai passar e eu não vou sentir. Talvez sinta uma leve diferença se me olhar de tempo em tempo no espelho. Hoje eu olhei e vi cinco estrias no meu peito direito. Quando comecei a esperar, acho que nem peito tinha. Eu não senti o tempo passar. As cruzadinhas ajudaram, me fizeram sentir sabida. Ou é sábia? O que importa é que eu sei de algumas coisas, eu sou alguém. Eu sou alguém que espera as coisas que demoram pra começar.
As coisas demoram pra começar. Você saiu correndo com medo; o engraçado é que nem me lembro mais da sua cara, de tão rápido que você partiu. Não aguentou, não esperou, não teve coragem de esperar pra ver começar. Eu confesso que eu corri atrás de ti, falei pra mim mesma – Tudo bem, posso perder o começo da minha vida. Mas eu sabia, eu sabia que não conseguiria, tive medo de carregar o peso de perder o começo. Então eu voltei sem coragem, sem vida, devagar, fazendo passos curtos, em zig zag, numa tentativa boba de alargar o tempo. Era uma volta, as coisas vão começar apesar da demora. As coisas vão começar.
As vezes as coisas demoram pra começar. Eu sabia, eu sei, eu espero, eu esperei, eu não fui. Eu estou aqui comigo esperando. Vou brincar de alguma coisa. Vou comprar uma cruzadinha na banca de jornal, afinal eu sei como se fala azul em inglês, e sei qual ator fez o filme Cantando na Chuva, e também sei quantos dedos tem um pato. O tempo vai passar e eu não vou sentir. Talvez sinta uma leve diferença se me olhar de tempo em tempo no espelho. Hoje eu olhei e vi cinco estrias no meu peito direito. Quando comecei a esperar, acho que nem peito tinha. Eu não senti o tempo passar. As cruzadinhas ajudaram, me fizeram sentir sabida. Ou é sábia? O que importa é que eu sei de algumas coisas, eu sou alguém. Eu sou alguém que espera as coisas que demoram pra começar.
sábado, 18 de junho de 2011
Meu Coração já esteve assim...
Eu quero chorar
Chorar por chorar
Sem causa,
Só chorar
Sentir o alívio da angústia pelas lágrimas
Sentir o desaperto do coração pelas lágrimas
Sentir o desfazer do nó na garganta pelas lágrimas
Nesse momento,
Não tenho nó na garganta
Não tenho aperto no coração
Não tenho angústia
Não tenho lágrimas,
Mas adoraria chorar
Chorar porque sou dramática
Chorar porque quero me preocupar
Chorar por um apego -
Um apego em achar que -
Pelo sofrimento somos importantes
Pelo sofrimento temos questões concretas
Pelo sofrimento somos profundos
Pelo sofrimento somos únicos,
E pelo sofrimento fazemos parte de um todo.
Afinal o mundo sofre de prazer em sofrer.
Não tenho motivo, mas tenho desejo.
Eu quero chorar
Chorar por chorar
Sem causa,
Só chorar
Sentir o alívio da angústia pelas lágrimas
Sentir o desaperto do coração pelas lágrimas
Sentir o desfazer do nó na garganta pelas lágrimas
Nesse momento,
Não tenho nó na garganta
Não tenho aperto no coração
Não tenho angústia
Não tenho lágrimas,
Mas adoraria chorar
Chorar porque sou dramática
Chorar porque quero me preocupar
Chorar por um apego -
Um apego em achar que -
Pelo sofrimento somos importantes
Pelo sofrimento temos questões concretas
Pelo sofrimento somos profundos
Pelo sofrimento somos únicos,
E pelo sofrimento fazemos parte de um todo.
Afinal o mundo sofre de prazer em sofrer.
Não tenho motivo, mas tenho desejo.
domingo, 12 de junho de 2011
Aqui
É, eu estou aqui. E o que é que eu estou fazendo aqui? Não tem mais por que. Não tem quase mais sentido. Acho que eu me esqueci e fiquei, sem perceber, semquerer, sem querer. Mas eu estou aqui, e queria é estar lá, ali, bem longe daqui. Mas eu estou aqui. Aqui já foi. Eu aqui não me acerto e não me encaixo. Não quero mais aqui. Aqui que quero lá. Quero hoje lá.
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